Mais um ano, mais um WordCamp. Visto de fora pode parecer que é assim, apenas mais uma edição do WordCamp Porto. Como é fácil algumas coisas passarem despercebidas e passarmos à frente para o que esteja a seguir marcado no nosso calendário, decidi fazer uma retrospectiva dos últimos dias e do WordCamp Porto 2018.

Desde logo o local. A organização escolheu a FEUP e a meu ver escolheu bem. O campus da FEUP é espaçoso e não demasiado “complexo” como outros campus. Num dos dias precisei de fazer uma chamada com um cliente e ocupei um auditório que estava vazio e durante 1h ninguém me chateou. Awesome.

Os coffee-breaks e o almoço ao ar livre foram uma excelente ideia e o tempo ajudou. De alguma forma estar a conviver ao ar livre torna as conversas mais agradáveis e o tempo passou sempre rápido.

Os conteúdos e as talks. Umas melhores, outras piores, como sempre. O Chris Lema arrasou (como sempre) logo no primeiro dia e deixou toda a gente a pensar se ir buscar vídeos já existentes ao YouTube para montar um curso online pago é realmente permitido/uma boa ideia 🙂

A sessão “Pensar os projetos para quem os usa” tinha tudo para ser uma grande talk (afinal de contas pensar os projetos para quem os usa é fundamental) mas acabou por ser uma apresentação das diferentes ferramentas para construção de sites que o orador colocou ao “mesmo nível” que o WordPress. Para mim pôr ao mesmo nível o WordPress, o Drupal e o Wix, etc é um erro clássico pois apenas compara funcionalidades e não tem em conta a filosofia e os valores por detrás de cada um destes projetos. Por exemplo a retrocompatibilidade é um valor base do WordPress.

Também falou de “desconfianças” em relação ao open-source, nomeadamente a confiança (por não haver uma empresa única por trás) e a certificação. Penso que ambas as questões já estão muito bem endereçadas e já não são questões por isso fiquei algo admirado.

Às tantas até se recomendou usar um SaaS de uma empresa proprietária para criar um site sobre o pretexto de que “pode ser mais fácil”. Na minha opinião o ser mais fácil é um beneficio que deve ser posto na balança juntamente com todas as desvantagens de usar um SaaS para um website. E nunca deverá ser uma recomendação de um técnico responsável já que a filosofia por detrás desses projetos é puramente comercial e nenhuma empresa proprietária pode competir com uma comunidade mundial que está constantemente a crescer e a melhorar o WordPress.

É por isso que, evitando o radicalismo do WordPress, é OK perceber o que é melhor e pior em termos de funcionalidades mas não se deve tomar uma decisão apenas com base nisso. Pelo menos se me perguntarem a mim.

Duas tracks

Depois o conceito de “Masterclass” foi mal usado na comunicação. Uma masterclass para mim pressupõe um workshop de portátil em mãos e não era esse o conceito. Adorava ter tido uma masterclass de JS tooling com o Telmo Teixeira ou uma de Gutenberg com o Miguel Fonseca e o Jorge Costa. Há talks que são claramente um melhor fit para um workshop de portátil em mãos do que uma talk de 25 min + 5min de perguntas.

As talks no segundo dia foram OK e penso que as duas tracks é uma boa ideia já que podemos sempre optar por mudar de sala em vez de dormir uma sesta quando a talk atual não nos agrada 🙂

Tal como já dizia o Noel Tock em 2012 continuamos também a ter poucas talks de casos de estudo. Há muita coisa a fazer-se em Portugal de interessante com o WordPress mas há algum receio em se partilhar tanto os sucessos como os insucessos (que é o mais interessante).

A workshop para crianças e as sessões especiais “Gutenberg” e “RGPD” foram ideias fantásticas. Porém é pena que as sessões especiais tenham ficado com pouco tempo no final do dia e após o horário se ter atrasado.

O Dia do Contribuidor, sendo a um dia da semana, contou com pouca gente mas foi bastante agradável e produtivo. Tivemos a oportunidade de contribuir para o WordPress através das traduções das novas strings referentes aos desenvolvimentos RGPD no WordPress.

Durante um dos coffee-breaks falava com um amigo sobre as motivações dos participantes do WordCamp. Na sua ótica tratava-se de pessoas que já ganhavam a vida com o WordPress ou que pensavam um dia “vir a enriquecer” com o WordPress. Não acredito que seja de todo essa a motivação das pessoas. O WordCamp irá sempre ser acerca das pessoas e este não foi diferente. Trata-se de ver amigos antigos e conhecer novos. Trata-se de partilhar “histórias de guerra” das nossas actividades e de aprender coisas novas.

A organização do Porto é já uma máquina bem oleada que consegue fazer um evento de uma qualidade profissional apenas recorrendo a uma equipa de voluntários cujo full-time job, é preciso relembrar, são outras coisas.

E para o ano?

Talvez dos aspectos menos falados dos WordCamp é que acabam por ser “retiros de equipa”. Algo no quebrar a rotina do dia-a-dia e no facto da equipa se juntar para ir participar no WordCamp acaba por dar uma satisfação profunda. É muito giro ver desde equipas de 2 pessoas a números maiores que se juntam e aproveitam o WordCamp também para estar uns com os outros num contexto diferente do normal.

Na WidgiLabs fomos 5 ao WordCamp e a Ana Aires juntou-se a nós durante o dia de Sábado. Ficámos num AirBnB e claro comemos uma bela francesinha. Mas a melhor memória deste fim de semana vai para um jantar de equipa que fizemos em Matosinhos na sexta à noite numa esplanada. Tempo de descontracção, entre amigos, na galhofa. Apesar de não ter sido durante o WordCamp foi sem dúvida o WordCamp que o proporcionou.

No final do WordCamp surge sempre a questão: para o ano organizam em Lisboa? E desde já posso responder, ainda não tendo movido uma palha para que isso aconteça, que a resposta é SIM! 🙂